VANDERBILT – Ainda Estou a Regar

Sinopse: Há água que aprende os contornos daquilo que perdeu. Um nome é repetido até deixar de pertencer a alguém. A terra muda de estado. As imagens começam a dissolver-se antes de poderem provar alguma coisa. Entre tarefas interrompidas e pequenas tentativas de preservação, um corpo continua a regressar ao mesmo sítio, como quem cuida de algo que talvez já exista apenas no gesto. VANDERBILT – Ainda Estou a Regar aproxima-se daquilo que permanece vivo depois de deixar de ter forma, há passados que são hortas.

Descrição: VANDERBILT – Era uma Horta é uma performance que cruza vídeo, presença e instalação com o objetivo de explorar as relações entre memória, ausência e transmissão afetiva. Partindo da memória da horta dos avós, o trabalho desenvolve-se através de um conjunto de ações simples e repetitivas — lavar, descascar, regar, recolher — que reativam gestos associados ao cuidado, ao trabalho manual e à permanência.

Ao longo da performance, fotografias pessoais circulam entre o público, dissolvem-se em água e regressam à terra, transformando o arquivo familiar numa matéria instável e transitória. Paralelamente, a presença da avó atravessa todo o trabalho enquanto figura simultaneamente íntima e inalcançável, convocada através da voz, do silêncio e da repetição.

Sem procurar reconstruir uma narrativa autobiográfica linear, a peça aproxima-se antes de um território sensorial onde o cheiro, o som e o gesto funcionam como vestígios de algo que continua a existir para lá da sua ausência física. Entre a tentativa de conservação e a inevitabilidade do desaparecimento, VANDERBILT – Era uma Horta propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece vivo naquilo em que nos tornamos.

Performance
Categoria
30′
Duração
Horário