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Conversa para um Futuro Comum c/ Catarina Martins e Performance “VANDERBILT Ainda Estou a Regar”

::: VANDERBILT Ainda Estou a Regar
Há água que aprende os contornos daquilo que perdeu. Um nome é repetido até deixar de pertencer a alguém. A terra muda de estado. As imagens começam a dissolver-se antes de poderem provar alguma coisa. Entre tarefas interrompidas e pequenas tentativas de preservação, um corpo continua a regressar ao mesmo sítio, como quem cuida de algo que talvez já exista apenas no gesto. VANDERBILT – Ainda Estou a Regar aproxima-se daquilo que permanece vivo depois de deixar de ter forma, há passados que são hortas.
VANDERBILT – Era uma Horta é uma performance que cruza vídeo, presença e instalação com o objetivo de explorar as relações entre memória, ausência e transmissão afetiva. Partindo da memória da horta dos avós, o trabalho desenvolve-se através de um conjunto de ações simples e repetitivas — lavar, descascar, regar, recolher — que reativam gestos associados ao cuidado, ao trabalho manual e à permanência.
Ao longo da performance, fotografias pessoais circulam entre o público, dissolvem-se em água e regressam à terra, transformando o arquivo familiar numa matéria instável e transitória. Paralelamente, a presença da avó atravessa todo o trabalho enquanto figura simultaneamente íntima e inalcançável, convocada através da voz, do silêncio e da repetição.
Sem procurar reconstruir uma narrativa autobiográfica linear, a peça aproxima-se antes de um território sensorial onde o cheiro, o som e o gesto funcionam como vestígios de algo que continua a existir para lá da sua ausência física. Entre a tentativa de conservação e a inevitabilidade do desaparecimento, VANDERBILT – Era uma Horta propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece vivo naquilo em que nos tornamos.
[Bruno Sousa]
::: Conversa para um Futuro Comum com Catarina Martins
Num tempo em que o território, a habitação, os recursos naturais e o trabalho são cada vez mais sujeitos à lógica do lucro e da especulação, importa criar espaços para pensar alternativas a partir de quem vive, trabalha e resiste nos lugares.
A conversa propõe um momento de escuta e reflexão sobre alguns dos conflitos que marcam o presente: a pressão do turismo e da especulação imobiliária sobre o direito à habitação; a privatização e mercantilização dos espaços comuns; a exploração intensiva da terra, da água e dos recursos naturais; e as formas de precariedade que atravessam o trabalho de cuidados, o trabalho migrante e as novas plataformas digitais.
Pretende-se discutir caminhos para transições energéticas, sociais e ecológicas que não repitam modelos centralizados, extrativistas e desiguais. Comunidades, associações, cooperativas e movimentos locais têm acumulado experiências e respostas concretas, fundamentais para imaginar um futuro construído em comum.
Esta sessão integra um conjunto de momentos de consulta e diálogo no território, que contribuirão para a preparação da Cimeira do Futuro Comum, a realizar-se em Lisboa nos dias 24 e 25 de outubro.
::: Sementeira 14: 3 a 12 de Julho – Rua das Ameias / Praça D. Duarte – Viseu
::: Programação completa em www.sementeira.net